26 de agosto de 2011

História - Davi


João era um homem que vivia nas ruas.

Sobrevivia graças às esmolas de algumas pessoas.

Certo dia, Marcos, um menino muito especial, viu o João chorando. Aproximou-se e perguntou:

- Por que o senhor está chorando?

João ficou surpreso com o gesto do menino, pois há muito tempo ninguém sequer lhe dirigia um olhar.

- Ah, meu filho, que bom, até que enfim Deus mandou alguém para conversar comigo!

Marcos sentiu muita compaixão daquele homem que se sentia feliz com um simples gesto de atenção e perguntou:

- O senhor está precisando de alguma coisa?

Marcos ficou sem entender nada e disse:

- Não estou entendo.

Seu João, muito feliz, explicou:

- Há muito tempo que as pessoas me dão de comer, trazer roupas, dão até dinheiro, mas sequer olham para mim. Você, ao contrário, me chama de senhor, e até me trata como se fôssemos iguais.

Marcos, que era um menino simples, explicou para seu João:

- Ué, mas todos nós somos iguais perante Deus. Eu aprendi isso com meus pais, e eles aprenderam com os ensinos de Jesus. Meus pais foram ricos. Mesmo tendo muitas coisas materiais, sentiam um vazio dentro deles mesmos, que nada conseguia preencher.


Um dia, resolveram que iriam ajudar alguns velhinhos abandonados, sem família. Sabe, seu João, meus pais venderam muitas coisas que “possuíam” e compraram uma casa simples.

Com o dinheiro, compraram uma chácara bem grande. É nessa chácara que eles cuidam com muito carinho de cinqüenta idosos. E sabe, seu João, meus pais se sentem muito mais felizes hoje, do que antes, quando eram ricos.

Seu João, sentindo-se já muito melhor com a história que acabara de ouvir, disse:

- Puxa, Marcos, eu pensava que para ser feliz precisava ser rico. Será que seus pais não precisam de alguém para ajudá-los? Eu não quero dinheiro, apenas um teto e comida.

Marcos não pensou duas vezes.

- Claro, seu João, hoje mesmo falarei com meus pais. Com certeza, daqui a alguns dias, o senhor sairá das ruas.

- Obrigado, meu amigo!

- Agradeça a Deus, pois nós só temos, realmente, o que podemos dar.



Tânia Amaral

Do livro: Brincando e Aprendendo o Espiritismo, volume 4.

Ilustração: Simone Anastácio

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