1 de maio de 2011

História - O Burro de Carga


No tempo em que não havia automóveis, na cocheira de famoso palácio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilhérias (piada, graças) e remoques (insinuação indireta e maliciosa) dos companheiros de apartamento (aposento separado; quarto; cerca).

Reparando-lhe o pêlo maltratado, as fundas cicatrizes no lombo e a cabeça tristonha e humilde, aproximou-se formoso (de formas bonita; belo) cavalo árabe, que se fizera detentor de muitos prêmios.

Junto com o cavalo árabe, veio um potro de fina origem inglesa e falou ao burro de carga:

- Triste sina (sorte, destino) a que você recebeu! Não inveja minha posição nas corridas? Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!

- Pudera! Como conseguirá um burro entender o brilho das apostas e o gosto da caça?

O infortunado animal recebia os sarcasmos resignadamente.

Outro soberbo (orgulhoso ao extremo; altivo, arrogante) cavalo, de procedência húngara, entrou também a comentar:

- Esse burro é um covarde! Sofreu nas mãos do bruto amansador, sem dar ao menos um coice. É vergonhoso suporta-lhe a companhia.

Um jumento espanhol acercou-se e acentuou, sem piedade:

Lastimo reconhecer neste burro um parente próximo. É um desonrado, um fraco, um inútil... Desconhece o amor-próprio! Eu só aceito deveres dentro de um limite. Se abusarem, pinoteio e sou capaz de matar.

As observações insultuosas (injúria, ofensa) não haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalariças (ou, cocheira).

Disse então o rei:

- Preciso de um animal para serviço de grande responsabilidade – informou o monarca –, animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.

O empregado perguntou:

- Não prefere o árabe, Majestade?

- Não, não! É muito altivo (arrogante, presunçoso) e só serve para corridas em festejos sem maior importância.

- Não quer o potro (cavalo novo) inglês?

- De modo algum. É irrequieto (que não fica quieto, não para nunca) e não vai além das extravagâncias da caça.

- E o húngaro? Não deseja o húngaro?

- Não, não. É bravio (bruto, selvagem, bravo) e sem educação. É apenas pastor de rebanhos.

- O jumento serviria?

- De maneira alguma. É manhoso e não merece confiança.

Decorridos alguns instantes de silêncio, o soberano indagou:

- Onde está o meu burro de carga?

Indicou o empregado ao rei:

- Lá majestade?

O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaezá-lo (enfeitá-lo) com as armas resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho, ainda criança, para longa viagem.

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Assim também acontece na vida.

Em todas as ocasiões, temos sempre grande número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de utilidade real aqueles que já aprenderam a suportar servir e sofrer, sem cogitar de si mesmos.

A Vida Fala II - "O burro de carga” de Francisco C. Xavier, pelo Espírito Neio Lúcio.













2 comentários:

Luis Fellipe disse...

Muito legal a mensagem! Continuem assim!

Fazendo Arte no Ensino de Ciência disse...

Saudações...
Com frequência tenho usado seu trabalho em minhas atividades. Que Jesus continue te inspirando em sua missão evangélica. Obrigado!